O homem que teve um sonho:

Martin Luther King Jr. e a luta do povo negro americano

O Reverendo Doutor Martin Luther King Jr. não morreu em vão quando ele foi assassinado a tiros na frente do seu quarto de hotel em Memphis, Tennessee, no sul dos Estados Unidos em 1968. Embora na época muitos achavam que ele tinha.

Na luta do negro americano por direitos e dignidade, ele foi o grande propagador da não-violência. Mesmo assim seu assassinato fez a multidão se rebelar e saquiar, queimar e matar por todo o país. O movimento para os direitos civís sofreu um golpe duplo: não só a morte do seu líder, mas também a reação do povo. Quase todo mundo concordava com isso.

Quase todo mundo estava errado. King provou

valer muito mais a sua causa morto do que vivo. Sua influência estava diminuindo desde seu pique depois de seu famoso discurso "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"), quando ele falou para 200, 000 pessoas em passeata em Washington, com sua magnífica eloquência de pastor sulista, cinco anos antes de sua morte.

Embora sua influência houvesse dimuído em todo país, o negro do sul se manteve agradecida por tudo que King e outros militantes, cristãos em sua maioria, haviam conquistado para eles. E elas foram grandes conquistas. Embora a escravidão houvesse terminado em 1865, 80 anos depois negros ainda não podiam usar os mesmos bebedouros, sanitários públicos, restaurantes ou hotéis, que brancos. Eles também não podiam frequentar as mesmas escolas. Até os ônibus, igrejas, praias, parques, baseballs e o exército eram segregados no país inteiro.

Porém os negros de outras partes do país, principalmente os que viviam nas grandes cidades, estavam menos impressionados. Muitos eram filhos de migrantes do sul que ainda não haviam experimentado tão aberta discriminação. Eles estavam muito mais magoados por terem que viver em favelas subempregados e com salários muito baixos. Com a consciência política e as expectativas aumentadas durante a luta pelos direitos civis, eles foram campo fértil para idéias radicais de militantes radicais como Stokely Carmichael, popularizador do Black Power, ou Bob Seal do movimento radical Black Panthers.

O assassinato de King não irou os radicais, mas deu aos moderados um mártir muito mais inspirador que Malcolm X, a alternativa separatista. Seu sonho de um Estados Unidos integrado, encantou brancos, negras e todas as cores entre eles. Sua oratória, gravada em fitas e vídeos, ainda inspiram.

Mas não deixam de ser controversiais. Ele sonhava com uma nação onde as "pessoas são julgadas não pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter".Hoje muitos afro-americanos celebram sua diferença. Não só os seguidores do líder muçulmano Louis Farakan que levou um milhão de homens `as ruas de Washington em 1995. Em universidades de elite, muitos estudantes negros preferem comer em mesas separadas dos brancos, e conversam entre sí em um dialeto chamado pelos sociólogos de "ebonics". Para eles socializar entre raças diferentes, e principalmente namorar entre raças diferentes, é taboo.

Isso preocupa alguns brancos, principalmente aqueles que marcharam lado a lado com King e seus militantes. Eles se perguntam,"isso não é reviver a barreira da cor?" Não. Segregação por imposição é uma coisa, por escolha é outra. Mas isso não leva ao sonho de integração de King. SEo o tempo vai dizer se "separados mas iguais" é uma escolha sábia.

adaptação de texto de artigo da revista "The Economist"