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| Foi no dia dos pais de 1998 que eu dei inicio a "Pais e Filhos" (PF): uma comemoração e cura, uma campanha nacional feita para fortalecer os laços entre pais e filhos dentro da família negra.
Em parte, eu comecei esse projeto por sentir na pele a dor de não ter um relacionamento com meu próprio pai. Meu pai saiu de casa quando eu tinha 13 anos, e nós havíamos nos falado apenas três vezes em 15 anos. Meu sonho era que o meu projeto, PF, unisse os homens negros de maneira que nós pudessemos partilhar nossas experiências e aprender através delas. Nós nos concentraríamos em duas coisas: Honrar a relação pai e filho como um todo e apoiar aqueles em necessidade de "cura". Reconhecer que nem todas as relações entre pais e filhos são más, enfatisar o que há de positivo--contemplar aquelas que vão bem, entender o que as faz funcionar e louvá-las. Antes de lançar a campanha eu levei os meus filhos para uma viagem de dez dias para "trabalhar" a nossa ralação. A distância do meu pai havia resultado em minha dificuldade de me relacionar com meus próprios sete filhos. Atividade comunitária havia me mantido ocupado quando eles eram pequenos e família não era uma coisa importante na minha vida naquela época. Nós partimos numa van alugada e rumamos para a casa de meu pai na Florida , onde ele estava nos esperando. Eu havia decidido deixar a raiva de lado e começar o processo de reconcialiação com meu pai. Viajar de carro foi e ainda é uma ocasião muito especial para nós: sem distração - nada de TV, amigos ou trabalho - ou outras razões para não conversar. Em nossa partilha nós choramos um pouco, nos abraçamos, rimos até que choramos de novo. Atiba, meu filho mais velho, com quem eu enfrentei os maiores problemas, confessou seu medo de um dia recriar com o filho dele a relação dolorosa que a nossa havia sido. As palavras dele bateram fundo. Eu estava fora do país quando ele nasceu, e por um longo tempo eu não me convencia de que ele era meu filho. Como resultado ele nunca havia experimentado a "família que meus outros filhos haviam experimentado. Sem saber Atiba carregou o fantasma de quatro gerações de pais sem contato com seus filhos e seus próprios sentimentos. Na casa de meu pai, nós conversamos educadamente por algum tempo, mas logo eu comecei a chorar de frustração com a indisponibilidade dele em ver que eu estava tentando reconstruir o nosso passado. Ele não podia entender minha necessidade de mencionar o que havia acontecido entre nós. Eu tentei descobrir como nós podíamos recomeçar, e lembrei da não publicada auto-biografia que havia mandado para ele durante meu mestrado. Ele ainda a guardava, e eu fiquei surpreso de ver que ele havia sublinhado os lugares em que eu descrevia o nosso relacionamento ou experiências familiares. Ele me disse que havia gostado e que até tinha dado cópias para seus parceiros de baralho. Eu tomei consciência de que escrever poderia ser a melhor maneira de me comunicar com ele. Por causa da campanha eu estava determinado a levar a conversa com meu pai adiante. Não importa quão dolorosa ela venha a ser. Adaptação de texto extraído da revista afro-americana Essence |
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