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A notícia divulgada no semestre passado com relação a transferência do curso de pedagogia do Campus da Lapa para o Campus da Federação, criou expectativas diversas em alunos e também professores do referido curso.
Alguns respaldados por uma leitura crítica de todo significado ideológico subjacente a essa mudança, tentavam "abrir os olhos" dos demais buscando mostrar que outras mudanças mais urgentes seriam necessárias. Para os mesmos, a simples mudança de campus não representaria a tão sonhada "mudança estrutural", que evidentemente não se resume numa transformação física. |
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| Outros felizes apenas por que passariam a freqüentar um espaço "mais acadêmico", ansiosos organizavam-se e torciam por rápida transferência.
Alguns preocupados com sua situação particular de dificuldades com transporte ( maior gasto financeiro devido ao número de ônibus a ser pego por dia) e tempo ( deslocamento casa-trabalho-campus da Federação-casa) , torciam contra a mudança. Outros , ainda, "encarcerados" numa impossível neutralidade, assim permaneciam à espera tão somente da decisão ( já preestabelecida) de terceiros. Foi nesse emaranhado de emoções e decisões que me percebi no limiar entre o primeiro e o segundo grupo ao Ter sido abordada por colegas que desejavam saber a minha posição com relação ao acontecimento. Naquele momento pensei : preciso considerar o fato agora e assumir segura posição, independente dos encaminhamentos "superiores", que sabíamos eram certos. Então decidi que defenderia a nossa vinda para a Federação, não por representar grande comodidade e economia para mim ( sou "vizinha do Campus), mas por imaginar e até desejar que com a mudança de campus mudaríamos também, de forma sutil, algumas relações estabelecidas no Campus da Lapa. Destaco as relações de poder, representadas nas situações das mais variadas "cores"e "formas", bem como incorporadas também em pessoas das mais variadas "cores", "formas" e nomes. No entanto, foi apenas durante a primeira semana de "ocupação e divisão de espaço" neste Campus, que presenciei ( juntamente com alguns colegas e uma professora do curso), essas mesmas relações de poder . Algumas ainda mais explícitas que as que ocorriam , e ainda ocorrem, no Campus da Lapa. A primeira mostrava o preconceito e a falta de conhecimento de alguns acadêmicos de um curso tido como "de elite" deste campus. Os mesmos faziam comentários ( ingênuos talvez) sobre a falta de poder econômico dos alunos de Pedagogia : "A vinda dos pedagogos não representará nenhum aumento da problemática do estacionamento deste campus, afinal desde quando pedagogo possui carros ?" De fato, nossos colegas têm em parte razão. Faltam-nos carros, no entanto uma coisa é certa : para muitos de nós o, não falta a consciência crítica e um pensar radical das causas que ainda fazem com que alguns cursos sejam socialmente aceitos e privilegiados (destacando os privilégios políticos e econômicos), enquanto outros sejam discriminados e até descartados. Cito no rol dos últimos Sociologia, Filosofia, História, Pedagogia, dentre outros. Fatos como o exposto é que fortalecem, no "senso comum" o mito da hierarquização e elitização nas áreas do saber. A desmistificação se faz necessária. Falar mais sobre igualdade e desigualdades sociais é necessário para que entendamos parte da nossa realidade. Se caminharmos no sentido da desmistificação nas áreas do saber, iremos conferindo que grandes cabeças pensantes saíram ( e continuam saindo) exatamente dos cursos ,infelizmente, entendidos como de "menor valor". Sem me preocupar em citar grandes teóricos ( já tão valorizados pelo "mundo das ciências") , citarei um , nosso conterrâneo, de concepção marxista, do qual deveríamos ser cúmplices já que ele parece ter entendido tão bem a realidade da qual somos seres integrantes. Paulo Freire teorizou em Educação tendo como norte as relações existentes entre dominantes e dominados, possuidores e despossuídos. Outra gritante imagem que representa as relações de poder neste campus gerou discussão no 6O semestre noturno : os palcos , em várias salas, colocados de maneira estratégica, mostram como ainda hoje a posição de professor como detentor do saber e autoridade absoluta é significativa aqui. É bem verdade que posições autoritárias de ser não precisam de palcos para acontecer (no campus da Lapa não existiam palcos), mas sabemos também que com a presença deles as possibilidades de efetivação das mesmas, para aqueles que já são "em si" autoritários aumentam, visto que a visão daquele que está em cima do palco é diferente daquele que se coloca em meio a platéia. Com tudo isso, ao observar a postura de uma professora nossa ao "pedir licença" para usar um dos palcos, percebi que é possível quebrar um pouco essas relações tão enraizadas em nossas mentes e consequentemente em nossos corpos. O ideal seria nivelar as relações constituindo-as em relações de troca, diálogo, cumplicidade e intimidade intelectual entre alunos e professores, alunos e alunos, professores e professores. Penso que nós, estudantes do curso de pedagogia ( e dos outros cursos também), possamos dividir o palco com os professores. Sugiro até que os palcos sejam estendidos aos quatro cantos das salas de aula para que todos possam brilhar indistintamente. E que todos juntos possamos representar uma peça na qual cada ator ( acadêmico ) possa incorporar um papel onde , no primeiro ato, a expressão da igualdade, da divisão de espaços e saber sejam presenças de fato , e no segundo e último ato essas mesmas expressões sejam estendidas para além dos limites do Campus. Que as relações de poder presentes ,não só neste Campus como nos demais da Ucsal, possam ser transformadas em relações de infindas possibilidades de crescimento, verdade, construção, conhecimento e igualdade real. |
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